quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Preservação Digital


Preservação Digital


Desde a invenção da escrita, se dá a preocupação com a preservação dos objetos intelectuais. Tais artefatos que permitem com os passar dos anos compreender e contextualizar a historia, cultura dos povos.
Ficando a cargo de museus, bibliotecas e arquivos, conservar essa informação. Mas com o passar dos anos a forma de se gerar, ou melhor, os suportes onde é armazenada essa informação, vem sofrendo grandes mudanças, hoje essa produção é feita com o auxilio das ferramentas digitais, auxiliando na melhor disseminação dessa informação.
Porém, essa modernidade trás junto à si, problemas, como a fragilidade desses suportes perante ao tempo, a obsolescência.
Conforme Ferreira (2006, p. 20)
No mundo actual, onde cada vez mais organizações dependem da informação digital que produzem, torna-se a implementação de tecnicas e de politicas concertadas que vão no sentido de garantir a perenidade e a acessibilidade a este tipo de informação.



Objeto Digital


Por objeto "digital" pode entender-se essencialmente duas coisas: por um lado, aquele objeto originalmente criado no meio informático, que se serve de um suporte digital, e cuja riqueza só se concretiza efetivamente quando manuseado nesse mesmo meio; por outro lado, o objeto enquanto representação digitalizada de um outro, qualquer que seja a sua natureza.
Segundo a carta sobre a preservação do patrimônio digital, elaborada pela UNESCO em 2003, os objetos digitais podem ser:
textos, bases de dados, imagens estáticas e com movimento, áudio, gráficos, software, e páginas Web, entre uma ampla e crescente variedade de formatos. Eles geralmente são passageiros e requerem produção, manutenção e gestão intencional para serem preservados. Muitos desses
materiais são de valor e significado duradouro, e por isso constituem um patrimônio que deve de ser protegido e preservado para as gerações atuais e futuras. Este patrimônio existe em qualquer língua, parte do mundo, e em qualquer área do conhecimento humano. (UNESCO - Carta sobre a Preservação do Patrimônio Digital, 2003)
Como se pode constatar, a preservação intelectual centra-se nos mecanismos que garantem a integridade e autenticidade da informação dos documentos digitais. A preservação física continua a ser relevante nos dois estados apresentados, embora, o armazenamento de objetos digitais seja mais delicado, envolvendo algumas estratégias para a sua preservação como a migração, encapsulação, emulação, etc.
Nos documentos impressos, a preservação lógica é pouco relevante, dado que se pode ter acesso ao formato em que estes foram publicados. No caso dos objetos digitais, a preservação lógica está associada à necessidade de garantir a conversão de formatos que estejam a ficar obsoletos ou cuja manutenção seja dispendiosa. A preservação intelectual dos objetos digitais também é muito relevante para salvaguardar as modificações no seu desenho, apresentação ou interação no formato apresentado originalmente.
A preservação digital levanta desafios de uma natureza fundamentalmente diferente se comparados com a preservação dos formatos tradicionais. Pela preservação digital, “entende-se o planejamento, armazenamento do recurso, e a aplicação de métodos e das tecnologias de preservação necessárias para assegurar que a informação digital tenha um valor contínuo, remanescente, acessível e usável”.


OAIS


O modelo de referência Open Archival Information System (OAIS) é um esquema conceitual que disciplina e orienta um sistema de arquivo dedicado a preservação e manutenção do acesso a informações digitais por longo prazo.


Modelo Funcional


Um OAIS é um arquivo consistindo numa organização de pessoas e sistemas que assumiu a responsabilidade de preservar informação e torná-la disponível para
uma Comunidade Alvo é um modelo de referência ISO – International Organization for Srtandardization.
O propósito mais importante do modelo de referência é facilitar uma compreensão mais ampla do que é necessário para preservar e acessar informação por longo prazo. O modelo de referência OAIS é reconhecido como o mais importante trabalho conceitual de um sistema voltado para a preservação digital.
O modelo de referência OAIS foi desenvolvido pelo Consultative Committee for Space Data Systems (CCSDS) no âmbito da NASA. Este modelo é uma norma ISO com o nº 14721:2002 que descreve um enquadramento conceptual para um repositório digital genérico, aberto a todas as comunidades com garantias de confiabilidade. Da norma consta também um léxico próprio que viabiliza a comunicação entre as comunidades e os repositórios. Tal como referido na norma o modelo OAIS consiste numa organização de pessoas e sistemas que aceitaram a responsabilidade de preservar a informação e torná-la disponível a uma designada comunidade. Este modelo existe em sistema aberto e destina-se a um alargado leque de repositórios, os quais estão por sua vez ao serviço das mais variadas comunidades tanto de âmbito nacional e patrimonial como acadêmico ou outras.


Objetivos


O objetivo do modelo de referência é aumentar o grau de consciência e compreensão dos conceitos relevantes para o arquivamento de objetos digitais, especialmente entre instituições não arquivísticas.
Ampliar a consciência e a compreensão dos conceitos arquivísticos relevantes necessários para a preservação e o acesso de longo prazo.
Prover conceitos necessários para organizações não arquivísticas participarem efetivamente no processo de preservação
Permitir comparações: arquitetura, operação, estratégias e técnicas de preservação estabelecer fundamentos que possam ser expandidos para informações que não estão no formato digital
Ampliar o consenso em torno dos elementos e processos voltados para a preservação de longo prazo e acesso a informação digital, promover a expansão do mercado e o apoio dos fornecedores
Orientar a identificação e produção de padrões relacionados ao OAIS


Origem


Desenvolvimento coordenado pelo CCSDS – Consultative Comittee for Space Data System - ligado à NASA por encomenda da ISO: Participação ampla em escala mundial [do Brasil: INPE e CTA]. Um produto de 10 anos de trabalho.
Red Book – maio de 1999
Blue Book – janeiro de 2002
Aprovação da ISO 1471 – fevereiro de 2003
Aplicação
O modelo OAIS pode ser aplicado a qualquer arquivo, mas ele é especificamente dirigido para organizações que têm a responsabilidade de tornar a informação.
Disponível à longo prazo.
O Modelo é também de interesse das organizações e pessoas que criam informações que podem necessitar de preservação de longo prazo, bem como das organizações que adquirem tais informações
O modelo de referência não especifica um projeto ou qualquer tipo de implementação.

Responsabilidades


Negociar a aceitação apropriadas de informações vindas de Produtores de Informação (critérios: tipo, assunto, fonte, originalidade, singularidade, etc. mídias, formatos ... conformação com padrões e políticas informações descritivas informações para preservação).
Obter controle suficiente das informações para garantir a preservação de longo prazo (propriedade do objeto físico X propriedade intelectual acordo de transferência copyright autoridade para modificar).
Determinar, por si mesmo ou em conjunto com outros parceiros, que comunidades devem se tornar Comunidades Alvo e, portanto, capacitadas a entenderem a informação fornecida.
Assegurar que a informação a ser preservada seja compreensível para a Comunidade Alvo de forma independente, ou seja, sem auxílio dos especialistas que produziram a informação.
Seguir políticas e procedimentos documentados que garantam que a informação esteja preservada contra todas as contingências, e que possibilitem que a informação seja disseminada como cópia autentica do original ou rastreável até o original.
Tornar a informação preservada disponível para a Comunidade Alvo

Estratégias de preservação digital


Existem distintas formas de preservação da informação, e segundo Lee apud Ferreira (2006, p.31) podemos agrupar em três classes fundamentais: emulação, migração e encapsulamento.
Algumas estratégias se dedicam a preservar a informação, ou seja, o objeto lógico enquanto outras pretendem preservar o suporte, ou o objeto físico. Não serão abordadas todas as estratégias propostas por Ferreira (2006), apenas aquelas que melhor se adaptarem ao tipo de suportes abordados neste trabalho.

Referências:


FERREIRA, Miguel. Introdução a Preservação Digital – Conceitos, estratégias e actuais consensos. Portugal: Editora Escola de Engenharia da Universidade do Minho, 2006.


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